Nem todo nódulo no pescoço é sinal de alarme imediato, mas alguns merecem investigação detalhada! É o caso do paraganglioma cervical, um tumor raro, de crescimento geralmente lento, mas que pode gerar complicações importantes se não for diagnosticado e tratado corretamente. 

O que é o paraganglioma cervical?

O paraganglioma é um tumor raro que se desenvolve a partir de células chamadas para gangliônicas, localizadas ao longo dos vasos sanguíneos e nervos. Quando ele surge na região do pescoço, próximo à bifurcação da artéria carótida, recebe o nome de paraganglioma de corpo carotídeo ou paraganglioma cervical.

Apesar de ser quase sempre benigno, ele é altamente vascularizado e pode envolver estruturas importantes do pescoço, como nervos cranianos e grandes vasos, o que torna o diagnóstico essencial. 

Quem pode desenvolver esse tipo de tumor?

  • Pessoas de qualquer idade, mas é mais comum entre os 30 e 50 anos
  • Cerca de 30% dos casos têm origem genética, podendo fazer parte das síndrome familiares associadas a mutações dos genes SDH
  • É mais frequente em mulheres do que em homens

Sintomas: quando ligar o sinal de alerta

Por ser um tumor de crescimento lento, os sinais podem passar despercebidos por muito tempo. No entanto, alguns sintomas incluem:

  • Massa palpável no pescoço, firme, indolor e de crescimento gradual
  • Rouquidão persistente ou alteração da voz
  • Dificuldades para engolir ou sensação de pressão
  • Dor local ou irradiação para a mandíbula e ouvido
  • Em casos mais avançados, paralisia de nervos cranianos pode ocorrer

 

Diagnóstico: como confirmar? 

O diagnóstico do paraganglioma cervical começa com a avaliação clínica e exame físico, mas é confirmado por exames de imagem como:

  • Ressonância magnética (RM) com contraste 
  • Tomografia computadorizada (TC)
  • Angiografia digital, em casos cirúrgicos, para avaliar o suprimento vascular
  • Em situações específicas, pode-se fazer biópsia (com cautela para preservar a vascularização) 

Tratamento: a operação é sempre necessária?

Nem sempre! A decisão depende do tamanho do tumor, sintomas, idade do paciente e risco da cirurgia.

As opções incluem:

  • Cirurgia 
  • Radioterapia
  • Observação (indicada em tumores muito pequenos, assintomáticos e sem sinais de progressão)

E quando o tumor é maligno?

Embora seja raro, cerca de 10% a 15% dos paragangliomas podem apresentar comportamento maligno, com metástases para pulmões, ossos ou linfonodos. Nesses casos, o tratamento pode incluir cirurgia, radioterapia e, em alguns casos, quimioterapia ou terapia alvo. 

Importância do acompanhamento genético

Pacientes com histórico familiar de paraganglioma, múltiplos tumores ou diagnóstico em idade precoce devem ser aliados para mutações genéticas. O acompanhamento genético é essencial para o rastreamento de outros tumores e para orientar familiares de primeiro grau.

Conclusão

O paraganglioma cervical é um tumor raro, geralmente benigno, mas que exige atenção. Apesar de crescer devagar, ele pode comprometer estruturas nobres do pescoço e causar sintomas neurológicos se funcionais importantes.

O diagnóstico precoce, o acompanhamento com equipe especializada e a individualização do tratamento são fundamentais para garantir segurança, qualidade de vida e controle da doença.