O tratamento do glioblastoma evoluiu muito nos últimos anos, principalmente graças ao desenvolvimento de tecnologias que tornam a cirurgia mais precisa e segura. Entre elas, uma das que mais contribui para melhores resultados é a cirurgia guiada por fluorescência.
Essa técnica me permite identificar com maior clareza os limites do tumor durante o procedimento, aumentando as chances de uma ressecção mais completa e preservando o tecido cerebral saudável.
O desafio de remover um glioblastoma
O glioblastoma é um dos tumores cerebrais mais agressivos e infiltrativos. Diferentemente de outros tumores, ele não apresenta uma separação nítida entre a lesão e o cérebro normal.
Isso significa que, durante a cirurgia, nem sempre é possível identificar apenas pela aparência onde termina o tumor e onde começa o tecido saudável. Encontrar esse equilíbrio é um dos maiores desafios da neurocirurgia: retirar o máximo possível da doença sem comprometer funções importantes, como fala, movimentos, memória ou visão.
Como funciona a cirurgia guiada por fluorescência?
Antes da cirurgia, o paciente recebe uma substância específica, como o 5-ALA ou, em alguns casos, fluoresceína.
Esses compostos são absorvidos preferencialmente pelas células do glioblastoma. Durante o procedimento, utilizo um microscópio cirúrgico equipado com filtros especiais que fazem essas células emitirem fluorescência.
Na prática, o tumor “brilha” sob uma luz específica, permitindo uma diferenciação muito mais precisa entre o tecido comprometido e o cérebro preservado.
Quais são os benefícios dessa tecnologia?
A fluorescência oferece uma importante vantagem durante a cirurgia: ampliar a capacidade de identificar áreas tumorais que poderiam passar despercebidas na visualização convencional.
Entre os principais benefícios estão:
- maior taxa de remoção do tumor;
- preservação das áreas cerebrais responsáveis por funções essenciais;
- planejamento cirúrgico mais preciso;
- possibilidade de melhores resultados no tratamento associado à radioterapia e à quimioterapia.
Diversos estudos demonstram que uma ressecção mais extensa do glioblastoma está associada a melhores desfechos clínicos e maior tempo de controle da doença.
A tecnologia faz parte de uma estratégia completa
Apesar de ser um recurso extremamente valioso, a fluorescência é apenas uma das ferramentas utilizadas durante a cirurgia.
Cada caso exige uma análise individualizada. A localização do tumor, os exames de imagem, a avaliação neurológica e o planejamento cirúrgico são fundamentais para definir a melhor estratégia para cada paciente.
Quando necessário, também associamos outras tecnologias, como neuronavegação, monitorização neurofisiológica intraoperatória e técnicas de mapeamento cerebral.
O objetivo sempre é oferecer o tratamento mais seguro
A incorporação de tecnologias modernas tem transformado a neurocirurgia e ampliado as possibilidades de tratamento para pacientes com glioblastoma.
Como neurocirurgião dedicado ao tratamento de tumores cerebrais, procuro utilizar recursos que aumentem a precisão cirúrgica e contribuam para melhores resultados, sempre priorizando a preservação da qualidade de vida.
Cada paciente possui características próprias e merece um planejamento individualizado. A combinação entre experiência, tecnologia e uma avaliação criteriosa é o que permite oferecer um tratamento cada vez mais seguro e eficiente.

