<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Dr. Marcos</title>
	<atom:link href="https://marcosdellaretti.com.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcosdellaretti.com.br</link>
	<description>M&#233;dico</description>
	<lastBuildDate>Wed, 21 Oct 2026 16:29:16 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.3</generator>

<image>
	<url>https://marcosdellaretti.com.br/wp-content/uploads/2022/04/drmarcos-150x150.jpg</url>
	<title>Dr. Marcos</title>
	<link>https://marcosdellaretti.com.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Adenoma de hipófise não-funcionante: o perigo do crescimento silencioso que comprime a visão</title>
		<link>https://marcosdellaretti.com.br/2026/10/21/adenoma-de-hipofise-nao-funcionante-o-perigo-do-crescimento-silencioso-que-comprime-a-visao/</link>
					<comments>https://marcosdellaretti.com.br/2026/10/21/adenoma-de-hipofise-nao-funcionante-o-perigo-do-crescimento-silencioso-que-comprime-a-visao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin_vj]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 16:29:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[adenoma]]></category>
		<category><![CDATA[adenoma de hipófise]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcosdellaretti.com.br/?p=1424</guid>

					<description><![CDATA[A hipófise é uma pequena glândula localizada na base do crânio, protegida em uma estrutura óssea chamada sela túrcica. Apesar de ter o tamanho de uma ervilha, ela atua como a maestrina do sistema endócrino, coordenando a produção dos principais hormônios do corpo. Quando um tumor se desenvolve nessa região, a rotina do paciente pode [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A hipófise é uma pequena glândula localizada na base do crânio, protegida em uma estrutura óssea chamada sela túrcica. Apesar de ter o tamanho de uma ervilha, ela atua como a maestrina do sistema endócrino, coordenando a produção dos principais hormônios do corpo. Quando um tumor se desenvolve nessa região, a rotina do paciente pode ser profundamente afetada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as alterações mais frequentes que recebo no consultório estão os adenomas hipofisários. Embora quase a totalidade dessas lesões seja benigna (não se trata de câncer), os chamados adenomas não-funcionantes trazem um desafio particular: por não produzirem excesso de hormônios, eles crescem de forma silenciosa durante anos e costumam dar os primeiros sinais claros quando já começam a pressionar estruturas nobres vizinhas, em especial os nervos da visão.</span></p>
<h2><span style="font-weight: 400;">O que torna o adenoma não-funcionante tão silencioso?</span></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos tumores de hipófise denunciam a sua presença precocemente por desregularem o organismo com hormônios em excesso. O paciente percebe alterações visíveis, como ganho de peso abrupto, produção de leite fora da amamentação ou crescimento das mãos e pés.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No adenoma de hipófise não-funcionante, isso não acontece. As células tumorais não secretam hormônios ativos na corrente sanguínea. Sem sintomas clínicos sistêmicos no início, o tumor avança milímetro a milímetro ao longo de meses ou anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por conta dessa evolução assintomática, a maioria dessas lesões só é descoberta quando ultrapassa 1 centímetro de diâmetro (os chamados macroadenomas), ultrapassa os limites da sela túrcica e passa a exercer compressão mecânica sobre as estruturas adjacentes — o que a medicina chama de &#8220;efeito de massa&#8221;.</span></p>
<h2><span style="font-weight: 400;">O sinal de alerta: como o tumor afeta a visão</span></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">O teto da sela túrcica fica diretamente abaixo do quiasma óptico, o ponto exato onde os nervos que trazem as imagens dos olhos se cruzam a caminho do cérebro. À medida que o macroadenoma cresce para cima, ele comprime essas fibras nervosas delicadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sintoma clássico decorrente dessa compressão é a hemianopsia bitemporal, caracterizada pela perda gradual da visão nas laterais (visão periférica). O paciente não fica com a visão completamente escura de uma hora para outra; ele costuma relatar no consultório:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sensação de &#8220;visão em túnel&#8221;: Enxerga bem o que está à frente, mas perde os detalhes do que está dos lados;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Tropeços e batidas frequentes: Esbarra em batentes de portas, móveis ou espelhos retrovisores ao caminhar ou manobrar o carro;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Dificuldade na leitura: Dificuldade em acompanhar as linhas de um livro ou da tela do computador;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Queda na acuidade visual e visão embaçada: Muitas vezes confundida com a necessidade de trocar o grau dos óculos.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do prejuízo visual, a expansão do tumor pode causar dores de cabeça constantes (por estiramento da membrana que reveste a sela túrcica) e, paradoxalmente, levar à falência da hipófise normal (hipopituitarismo). Ao esmagar o tecido glandular saudável, o tumor reduz a produção de hormônios vitais, gerando fadiga crônica, fraqueza, perda de libido e alterações na tireoide.</span></p>
<h2><span style="font-weight: 400;">Como confirmo o diagnóstico no consultório</span></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A avaliação diagnóstica criteriosa envolve a união entre a neurocirurgia, a neuroftalmologia e a endocrinologia:</span></p>
<ol>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Ressonância Magnética da Sela Túrcica: Exame padrão-ouro de alta resolução que me permite visualizar as dimensões exatas da lesão, sua relação com o quiasma óptico e a proximidade com as artérias carótidas internas;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Campimetria Computadorizada (Campo Visual): Mapeamento funcional detalhado realizado pelo oftalmologista para quantificar o grau exato de perda de visão periférica decorrente da compressão mecânica;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Painel Hormonal Completo: Dosagem sanguínea dos hormônios hipofisários para confirmar a ausência de hipersecreção e investigar se a hipófise saudável precisa de reposição hormonal imediata.</span></li>
</ol>
<h2><span style="font-weight: 400;">O tratamento: descompressão visual por via endonasal</span></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o adenoma não-funcionante causa compressão das vias ópticas ou já atinge dimensões que ameaçam a visão, o tratamento cirúrgico é a indicação prioritária. O objetivo principal da cirurgia não é apenas remover a lesão, mas descomprimir os nervos visuais a tempo de permitir sua recuperação funcional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abordagem padrão e consagrada que utilizo é a cirurgia endoscópica transnasal transesfenoidal:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Acesso minimamente invasivo: Entramos pelas cavidades naturais do nariz com instrumentos delicados e uma microcâmera de alta definição (endoscópio);</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sem cortes externos: O procedimento não exige incisões na face nem abertura convencional do crânio;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Visão panorâmica e direta: O endoscópio permite enxergar o fundo da sela túrcica em close-up, facilitando a retirada do tumor com preservação máxima do tecido hipofisário saudável e das carótidas.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte dos pacientes nota melhora significativa ou até estabilização completa da visão no pós-operatório recente, desde que o nervo óptico não tenha sofrido compressão crônica por tempo prolongado a ponto de gerar atrofia definitiva.</span></p>
<h3><span style="font-weight: 400;">E quando a cirurgia não é necessária?</span></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o adenoma for pequeno (microadenoma, menor que 1 cm), descoberto por acaso em uma ressonância e sem contato com o quiasma óptico ou déficits hormonais, minha conduta habitual é a vigilância ativa. Realizamos o acompanhamento periódico com ressonâncias e exames oftalmológicos para monitorar a velocidade de crescimento antes de propor qualquer intervenção.</span></p>
<h2><span style="font-weight: 400;">A consulta médica individualizada é indispensável</span></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Alterações visuais progressivas, perda de visão lateral ou dores de cabeça atípicas nunca devem ser ignoradas ou tratadas apenas com a troca periódica de lentes de grau.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diagnóstico precoce de um adenoma de hipófise faz toda a diferença entre preservar a sua visão de forma definitiva ou conviver com danos visuais irreversíveis. Se você recebeu esse diagnóstico em um laudo de exame ou vem notando alterações no seu campo visual, procure uma avaliação presencial especializada com um neurocirurgião para planejar a conduta mais segura e individualizada para o seu caso.</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcosdellaretti.com.br/2026/10/21/adenoma-de-hipofise-nao-funcionante-o-perigo-do-crescimento-silencioso-que-comprime-a-visao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Obesidade e saúde cerebral: existe relação?</title>
		<link>https://marcosdellaretti.com.br/2026/10/16/obesidade-e-saude-cerebral-existe-relacao/</link>
					<comments>https://marcosdellaretti.com.br/2026/10/16/obesidade-e-saude-cerebral-existe-relacao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin_vj]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 16:09:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[obesidade]]></category>
		<category><![CDATA[saúde cerebral]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcosdellaretti.com.br/?p=1420</guid>

					<description><![CDATA[Quando falamos em obesidade, é comum pensar primeiro nos riscos para o coração, a circulação e o metabolismo. Entretanto, os efeitos dessa condição também podem atingir o cérebro, influenciando processos como memória, atenção, controle do apetite e funcionamento dos vasos sanguíneos. Como neurocirurgião, considero importante ampliar essa discussão. As pesquisas mostram que a obesidade está [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos em obesidade, é comum pensar primeiro nos riscos para o coração, a circulação e o metabolismo. Entretanto, os efeitos dessa condição também podem atingir o cérebro, influenciando processos como memória, atenção, controle do apetite e funcionamento dos vasos sanguíneos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como neurocirurgião, considero importante ampliar essa discussão. As pesquisas mostram que a obesidade está associada a alterações inflamatórias, metabólicas e vasculares que podem comprometer a saúde cerebral ao longo do tempo. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como a obesidade afeta o cérebro?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obesidade é uma condição crônica complexa, influenciada por fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais. O excesso de tecido adiposo pode favorecer um estado de inflamação crônica de baixo grau, que interfere na comunicação entre diferentes órgãos e o sistema nervoso central.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa inflamação pode afetar mecanismos de proteção e regulação do cérebro, além de prejudicar o funcionamento de circuitos neuronais envolvidos no metabolismo e na cognição. Os efeitos variam entre as pessoas e dependem de diversos fatores, incluindo o tempo de exposição a essas alterações. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Memória, atenção e concentração também podem ser afetadas?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, estudos associam a obesidade a alterações em regiões cerebrais importantes para as funções cognitivas, como o hipocampo, relacionado à formação e à consolidação de memórias, e o córtex pré-frontal, que participa do planejamento, da atenção e da tomada de decisões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas associações não significam que toda pessoa com obesidade desenvolverá problemas de memória ou demência. No entanto, indicam que a saúde metabólica merece atenção também quando pensamos na preservação das capacidades cognitivas ao longo da vida. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Qual é a relação entre obesidade, fome e saciedade?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O hipotálamo é uma região cerebral fundamental para regular a fome, a saciedade, o gasto energético e o equilíbrio do organismo. Ele recebe sinais hormonais e metabólicos que ajudam o corpo a ajustar a ingestão de alimentos às suas necessidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obesidade, processos inflamatórios e alterações na resposta a esses sinais podem prejudicar o funcionamento desses circuitos. Isso pode dificultar a regulação do apetite e contribuir para um ciclo de alterações metabólicas. É importante lembrar que o controle do peso envolve múltiplos fatores e não depende exclusivamente da força de vontade individual. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como a obesidade interfere na circulação cerebral?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obesidade está frequentemente associada a condições como hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e alterações nos níveis de colesterol. Esses fatores podem comprometer os vasos sanguíneos e aumentar o risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, incluindo o acidente vascular cerebral (AVC).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, alterações na função vascular e na regulação do fluxo sanguíneo cerebral estão entre os mecanismos investigados na relação entre obesidade e comprometimento cognitivo. Por isso, acompanhar a pressão arterial, a glicemia e o perfil lipídico é parte importante da prevenção. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O que podemos fazer para proteger a saúde cerebral?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A prevenção começa com o cuidado integral da saúde. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, ter uma rotina de sono adequada e acompanhar condições como hipertensão e diabetes são medidas importantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando há obesidade, buscar orientação profissional permite construir um plano de tratamento individualizado e sustentável. Médicos, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais podem atuar em conjunto, conforme as necessidades de cada pessoa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também recomendo atenção a mudanças persistentes na memória, na concentração ou em outras funções cognitivas, pois esses sintomas podem ter diferentes causas e merecem avaliação quando interferem na rotina.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Cuidar do metabolismo também é cuidar do cérebro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre obesidade e saúde cerebral reforça a importância de prevenir e tratar os fatores de risco ao longo da vida. Embora ainda existam questões a esclarecer sobre os mecanismos envolvidos e sobre como cada intervenção influencia a cognição, as evidências já mostram que a saúde metabólica e a cerebral estão profundamente conectadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na minha prática, valorizo a prevenção e o acompanhamento individualizado como caminhos para reduzir riscos e preservar a qualidade de vida. Cuidar do organismo como um todo também contribui para proteger o cérebro e suas funções ao longo dos anos.</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcosdellaretti.com.br/2026/10/16/obesidade-e-saude-cerebral-existe-relacao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cirurgia endoscópica pelo nariz: a técnica minimamente invasiva que utilizo para tumores de hipófise</title>
		<link>https://marcosdellaretti.com.br/2026/10/09/cirurgia-endoscopica-pelo-nariz-a-tecnica-minimamente-invasiva-que-utilizo-para-tumores-de-hipofise/</link>
					<comments>https://marcosdellaretti.com.br/2026/10/09/cirurgia-endoscopica-pelo-nariz-a-tecnica-minimamente-invasiva-que-utilizo-para-tumores-de-hipofise/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin_vj]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 21:19:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[neurocirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde cerebral]]></category>
		<category><![CDATA[cirurgia endoscópica]]></category>
		<category><![CDATA[cirurgia endoscópica pelo nariz]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcosdellaretti.com.br/?p=1417</guid>

					<description><![CDATA[Quando um paciente recebe o diagnóstico de um tumor de hipófise, uma das primeiras preocupações costuma ser imaginar como será feita a cirurgia. Muitas pessoas se surpreendem quando explico que, em determinados casos, conseguimos chegar até a hipófise utilizando uma via natural: o nariz. A cirurgia endoscópica endonasal, também conhecida como cirurgia transesfenoidal endoscópica, permite [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Quando um paciente recebe o diagnóstico de um tumor de hipófise, uma das primeiras preocupações costuma ser imaginar como será feita a cirurgia. Muitas pessoas se surpreendem quando explico que, em determinados casos, conseguimos chegar até a hipófise utilizando uma via natural: o nariz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cirurgia endoscópica endonasal, também conhecida como cirurgia transesfenoidal endoscópica, permite acessar a região da hipófise passando pelas cavidades nasais e pelo seio esfenoidal, na base do crânio. Dessa forma, não é necessário realizar uma abertura externa do crânio para alcançar o tumor.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Onde fica a hipófise?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A hipófise é uma pequena glândula localizada na base do cérebro, em uma região chamada sela túrcica. Apesar do tamanho reduzido, ela exerce uma função fundamental no organismo, participando da regulação de diversos hormônios relacionados ao crescimento, metabolismo, reprodução, resposta ao estresse e funcionamento de outras glândulas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por sua localização, tumores nessa região podem afetar a produção hormonal e, quando crescem, comprimir estruturas próximas, especialmente os nervos ópticos e o quiasma óptico. Por isso, alguns pacientes apresentam alterações hormonais, dores de cabeça ou problemas na visão, como perda do campo visual.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como é possível chegar ao tumor pelo nariz?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A via endonasal utiliza o caminho anatômico que passa pelas cavidades nasais até o seio esfenoidal, uma cavidade localizada na base do crânio, próxima à hipófise.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o auxílio de um endoscópio, consigo visualizar a região em detalhes e utilizar instrumentos delicados para acessar a lesão. A cirurgia é planejada a partir das imagens de ressonância magnética e, em muitos casos, também utiliza sistemas de neuronavegação para auxiliar na orientação espacial durante o procedimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa abordagem faz parte da evolução das técnicas de cirurgia da base do crânio, permitindo uma visualização ampla e detalhada da região operada.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quais são as vantagens da técnica endoscópica?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A principal característica que considero importante nessa abordagem é o acesso minimamente invasivo à região da hipófise.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o acesso é feito pelas cavidades nasais, não há uma incisão externa no couro cabeludo nem uma craniotomia convencional. A técnica também permite uma visualização ampliada do campo cirúrgico, inclusive de regiões que podem ser difíceis de observar diretamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dependendo das características do tumor e das condições clínicas do paciente, a abordagem pode proporcionar menor agressão às estruturas externas e uma recuperação mais rápida do que acessos cranianos mais invasivos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Todo tumor de hipófise precisa de cirurgia?</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diagnóstico de um tumor de hipófise não significa automaticamente que o paciente precisará ser operado. Antes de indicar qualquer tratamento, avalio o tipo de tumor, seu tamanho, crescimento, produção hormonal, relação com o nervo óptico e outras estruturas próximas, além dos sintomas apresentados pelo paciente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns tumores podem ser acompanhados com exames periódicos. Em determinados tipos, o tratamento medicamentoso é a primeira escolha. É o que ocorre, por exemplo, com muitos prolactinomas, nos quais medicamentos chamados agonistas dopaminérgicos costumam ser utilizados inicialmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a cirurgia é indicada, a via endoscópica endonasal é frequentemente utilizada para alcançar a região da hipófise.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>E quando a cirurgia é indicada?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A indicação varia conforme o tipo de tumor. Em alguns pacientes, a cirurgia pode ser necessária diante de compressão das vias ópticas, crescimento significativo da lesão, alterações hormonais relacionadas ao tumor ou determinadas características do tumor que tornam a intervenção necessária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em tumores não funcionantes, por exemplo, a cirurgia costuma ser considerada principalmente quando há crescimento, sintomas ou comprometimento de estruturas próximas, especialmente da visão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já nos tumores produtores de determinados hormônios, como os associados à doença de Cushing ou à acromegalia, a cirurgia pode ter papel central no tratamento. A estratégia, porém, deve ser definida de acordo com o diagnóstico endocrinológico e as características anatômicas da lesão.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O que eu avalio antes da cirurgia?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de indicar o procedimento, faço uma avaliação detalhada do paciente e das imagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ressonância magnética da região da hipófise é fundamental para entender o tamanho do tumor, sua extensão e sua relação com estruturas importantes. Também é necessário avaliar a função hormonal da hipófise e, quando indicado, realizar uma avaliação oftalmológica com investigação do campo visual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas informações me ajudam a entender o comportamento da lesão e a planejar a estratégia cirúrgica mais adequada.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>A cirurgia também exige cuidado com a própria hipófise</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o procedimento, um dos meus objetivos é remover o tumor sempre que isso puder ser feito com segurança, preservando a hipófise normal e as estruturas neurológicas próximas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa região fica muito próxima dos nervos ópticos, das artérias carótidas e de estruturas importantes do cérebro. Por isso, mesmo sendo uma técnica minimamente invasiva, a cirurgia exige planejamento detalhado, experiência e atenção à anatomia de cada paciente. Entre as possíveis complicações estão alterações hormonais, vazamento de líquido cefalorraquidiano e, mais raramente, lesões vasculares ou neurológicas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O acompanhamento depois da cirurgia também é importante</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do procedimento, acompanho a evolução clínica, os níveis hormonais e os exames de imagem. Dependendo do tipo de tumor e da quantidade de lesão removida, pode ser necessário manter acompanhamento endocrinológico, realizar novas ressonâncias ou considerar tratamentos complementares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns casos, pode permanecer uma pequena quantidade de tumor porque sua retirada completa representaria um risco maior para estruturas importantes. Nessas situações, o acompanhamento ou tratamentos complementares podem fazer parte da estratégia.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Uma técnica moderna, planejada para cada paciente</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cirurgia endoscópica endonasal representa um importante avanço no tratamento de tumores da região da hipófise e da base do crânio. Utilizar as cavidades nasais como via de acesso permite chegar a uma região profunda do crânio sem a necessidade de uma abertura craniana convencional em muitos casos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a tecnologia precisa estar associada a uma indicação precisa e a um planejamento individualizado. Cada tumor tem suas próprias características, e a escolha do tratamento deve considerar tanto o controle da doença quanto a preservação das funções neurológicas e hormonais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando avalio um paciente com tumor de hipófise, meu objetivo é reunir as informações clínicas, hormonais e radiológicas para definir a estratégia mais segura e adequada para aquele caso.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcosdellaretti.com.br/2026/10/09/cirurgia-endoscopica-pelo-nariz-a-tecnica-minimamente-invasiva-que-utilizo-para-tumores-de-hipofise/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pequenas “amoras” no cérebro: o que é o cavernoma e como eu avalio o risco de sangramento</title>
		<link>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/28/pequenas-amoras-no-cerebro-o-que-e-o-cavernoma-e-como-eu-avalio-o-risco-de-sangramento/</link>
					<comments>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/28/pequenas-amoras-no-cerebro-o-que-e-o-cavernoma-e-como-eu-avalio-o-risco-de-sangramento/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin_vj]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 18:34:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[neurocirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde cerebral]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcosdellaretti.com.br/?p=1413</guid>

					<description><![CDATA[Algumas lesões encontradas em exames de ressonância magnética chamam a atenção pelo aspecto curioso. Uma delas é o cavernoma cerebral, também conhecido como malformação cavernosa. Em alguns exames, ele pode lembrar uma pequena “amora” ou “pipoca”, justamente pela forma como os vasos sanguíneos anormais ficam agrupados. Apesar da aparência, trata-se de uma lesão vascular benigna [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Algumas lesões encontradas em exames de ressonância magnética chamam a atenção pelo aspecto curioso. Uma delas é o cavernoma cerebral, também conhecido como malformação cavernosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns exames, ele pode lembrar uma pequena “amora” ou “pipoca”, justamente pela forma como os vasos sanguíneos anormais ficam agrupados. Apesar da aparência, trata-se de uma lesão vascular benigna que precisa ser avaliada de maneira individualizada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando recebo um paciente com esse diagnóstico, uma das principais questões que procuro responder é: qual é o risco de esse cavernoma sangrar e qual é a melhor forma de acompanhá-lo?</span></p>
<p><b>O que é um cavernoma cerebral?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cavernoma é uma malformação vascular formada por um aglomerado de pequenos vasos sanguíneos anormais e dilatados. Esses vasos têm paredes mais finas e podem apresentar pequenos sangramentos ao longo do tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na ressonância magnética, a lesão costuma apresentar um aspecto característico, com áreas de diferentes intensidades de sinal relacionadas à presença de sangue em diferentes estágios. Sequências sensíveis a produtos sanguíneos, como T2* e SWI, são especialmente úteis para identificar essas alterações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cavernomas podem aparecer em diferentes regiões do sistema nervoso central e podem ser descobertos durante a investigação de sintomas ou de forma incidental, quando o paciente realiza uma ressonância por outro motivo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Ter um cavernoma significa que ele vai sangrar?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não, essa é uma das primeiras informações que procuro esclarecer com meus pacientes. Muitos cavernomas permanecem estáveis e nunca provocam sintomas ou sangramento significativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O risco de hemorragia varia bastante de acordo com as características da lesão e com o histórico de cada paciente. Em estudos de história natural, cavernomas descobertos incidentalmente e sem sintomas apresentam risco de sangramento consideravelmente menor do que aqueles que já se manifestaram por uma hemorragia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, não utilizo apenas o diagnóstico de cavernoma para definir uma conduta. Preciso entender o comportamento daquela lesão e o contexto clínico do paciente.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como eu avalio o risco de sangramento?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Minha avaliação começa pela análise detalhada das imagens e do histórico clínico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns fatores são particularmente importantes:</span></p>
<ol>
<li><b> O cavernoma já sangrou?</b></li>
</ol>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse é um dos principais pontos da avaliação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o cavernoma se manifesta inicialmente por uma hemorragia, o risco de um novo sangramento é maior do que em uma lesão descoberta incidentalmente e que nunca apresentou hemorragia. Estudos mostram uma diferença importante entre esses dois cenários. Por isso, procuro identificar sinais de sangramento recente ou antigo nas imagens e entender se os sintomas apresentados pelo paciente podem estar relacionados à lesão.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<ol start="2">
<li><b> Onde o cavernoma está localizado?</b></li>
</ol>
<p><span style="font-weight: 400;">A localização tem grande importância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cavernomas localizados no tronco cerebral, por exemplo, apresentam um comportamento diferente daqueles situados em regiões mais superficiais do cérebro. Além disso, um pequeno sangramento em uma região eloquente pode provocar consequências neurológicas importantes devido à proximidade de estruturas responsáveis por funções essenciais. Por isso, tamanho e localização precisam sempre ser analisados em conjunto.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<ol start="3">
<li><b> Existem sintomas?</b></li>
</ol>
<p><span style="font-weight: 400;">Também avalio cuidadosamente a manifestação clínica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dependendo da localização, um cavernoma pode estar relacionado a convulsões, alterações neurológicas, problemas de equilíbrio, alterações de força ou sensibilidade, entre outros sintomas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando existe uma relação clara entre a lesão e os sintomas, isso pode modificar a estratégia de acompanhamento e tratamento.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<ol start="4">
<li><b> Existem outros cavernomas?</b></li>
</ol>
<p><span style="font-weight: 400;">Algumas pessoas apresentam apenas uma lesão, enquanto outras podem ter múltiplos cavernomas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença de múltiplas lesões pode estar relacionada a formas familiares da doença, principalmente quando existe histórico de cavernomas em outros familiares. Nesses casos, a avaliação clínica e o acompanhamento precisam considerar também esse contexto.</span></p>
<p><b>Preciso operar um cavernoma?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na maioria dos casos, a descoberta de um cavernoma não significa que será necessária uma cirurgia imediata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a lesão é assintomática, foi descoberta incidentalmente e não apresenta características que indiquem um risco elevado, o acompanhamento clínico e radiológico pode ser a melhor estratégia. A frequência dos exames é individualizada conforme o caso e pode ser antecipada se surgirem novos sintomas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cirurgia passa a ser considerada quando existe uma combinação de fatores que pode favorecer o tratamento, como sangramentos relacionados à lesão, sintomas progressivos ou determinadas localizações em que a retirada pode ser realizada com risco aceitável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui existe um ponto fundamental: o risco de deixar o cavernoma e o risco de operar precisam ser comparados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma cirurgia cerebral também apresenta riscos, especialmente quando a lesão está próxima de áreas responsáveis por funções neurológicas importantes. Por isso, não existe uma indicação cirúrgica baseada em uma única característica.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O acompanhamento também é uma forma de tratamento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando optamos por acompanhar um cavernoma, isso não significa ignorar a lesão. O paciente permanece sob acompanhamento médico e pode realizar exames de imagem para observar sua evolução. Também é importante estar atento ao surgimento de sintomas novos, como convulsões, alterações de força, sensibilidade, equilíbrio, fala ou visão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A frequência do acompanhamento depende das características de cada caso. Para lesões incidentais, por exemplo, recomendações de acompanhamento por ressonância podem variar ao longo do tempo, enquanto novos sintomas podem justificar uma investigação antecipada.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Cada cavernoma precisa ser analisado individualmente</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O aspecto de “amora” ou “pipoca” na ressonância pode assustar quando aparece pela primeira vez no laudo. Mas o diagnóstico, por si só, não determina a necessidade de cirurgia nem significa que haverá uma hemorragia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na minha avaliação, procuro reunir histórico clínico, sintomas, localização, características da lesão, presença ou ausência de sangramento e os achados da ressonância magnética para estimar o risco e definir a estratégia mais segura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em muitos pacientes, acompanhar é suficiente, e em outros, o tratamento pode ser indicado. O mais importante é que essa decisão seja tomada de forma individualizada, considerando o risco da própria doença e o risco de qualquer intervenção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você recebeu o diagnóstico de cavernoma cerebral, converse com um neurocirurgião para entender o significado dessa lesão especificamente no seu caso.</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/28/pequenas-amoras-no-cerebro-o-que-e-o-cavernoma-e-como-eu-avalio-o-risco-de-sangramento/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Paraganglioma carotídeo: um tumor que pode comprometer a artéria que irriga o cérebro</title>
		<link>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/21/paraganglioma-carotideo-um-tumor-que-pode-comprometer-a-arteria-que-irriga-o-cerebro/</link>
					<comments>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/21/paraganglioma-carotideo-um-tumor-que-pode-comprometer-a-arteria-que-irriga-o-cerebro/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin_vj]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 13:44:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde cerebral]]></category>
		<category><![CDATA[diagnóstico de paraganglioma]]></category>
		<category><![CDATA[paraganglioma]]></category>
		<category><![CDATA[paraganglioma carotídeo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcosdellaretti.com.br/?p=1409</guid>

					<description><![CDATA[Quando uma pessoa percebe um pequeno caroço ou uma pulsação diferente no pescoço, nem sempre imagina que possa existir uma alteração relacionada às artérias que levam sangue ao cérebro. Uma dessas possibilidades é o paraganglioma carotídeo, também conhecido como tumor do corpo carotídeo. Trata-se de um tumor raro que se desenvolve em uma região extremamente [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Quando uma pessoa percebe um pequeno caroço ou uma pulsação diferente no pescoço, nem sempre imagina que possa existir uma alteração relacionada às artérias que levam sangue ao cérebro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma dessas possibilidades é o </span><b>paraganglioma carotídeo</b><span style="font-weight: 400;">, também conhecido como tumor do corpo carotídeo. Trata-se de um tumor raro que se desenvolve em uma região extremamente delicada: a bifurcação da artéria carótida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na maioria das vezes, esse tumor apresenta comportamento benigno e crescimento lento. Ainda assim, sua localização exige uma avaliação especializada, principalmente porque pode envolver vasos sanguíneos e nervos importantes.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O que é o paraganglioma carotídeo?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O paraganglioma carotídeo é um </span><b>tumor neuroendócrino</b><span style="font-weight: 400;"> que se origina nas células do corpo carotídeo, uma pequena estrutura localizada na bifurcação da artéria carótida comum. Essa região é responsável por detectar alterações nos níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue e participa do controle da respiração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema é que o tumor se desenvolve justamente entre os ramos da artéria carótida. À medida que cresce, pode afastar esses vasos e, em alguns casos, envolver ou comprimir estruturas vasculares e nervosas próximas. Por isso, mesmo quando apresenta comportamento benigno, o paraganglioma carotídeo precisa ser acompanhado com atenção.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Onde fica o corpo carotídeo?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender a importância desse tumor, vale conhecer um pouco da anatomia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><b>artéria carótida comum</b><span style="font-weight: 400;"> percorre o pescoço e, próximo à mandíbula, divide-se em duas artérias:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>carótida interna</b><span style="font-weight: 400;">, que leva sangue principalmente ao cérebro;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>carótida externa</b><span style="font-weight: 400;">, responsável por irrigar estruturas da face e do couro cabeludo.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">O corpo carotídeo fica justamente nessa bifurcação e é nesse ponto que o paraganglioma se desenvolve, crescendo entre os vasos e podendo envolvê-los conforme aumenta de tamanho.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quais são os sintomas?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o crescimento costuma ser lento, o paraganglioma carotídeo pode permanecer assintomático durante bastante tempo. Quando surgem sintomas, um dos achados mais comuns é a presença de uma </span><b>massa ou nódulo no pescoço</b><span style="font-weight: 400;">, geralmente próximo à mandíbula.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa massa pode ser:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">indolor;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">pulsátil;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">móvel lateralmente, mas com pouca mobilidade vertical;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">de crescimento progressivo.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Em tumores maiores, podem surgir sintomas relacionados à compressão das estruturas próximas, como:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">dificuldade para engolir;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">rouquidão;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">alterações na movimentação da língua;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">alterações na voz;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">dor;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">comprometimento de nervos cranianos.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Em casos mais avançados, a relação do tumor com a artéria carótida pode se tornar bastante complexa.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O paraganglioma carotídeo pode ser maligno?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maioria dos paragangliomas carotídeos apresenta comportamento benigno. Entretanto, alguns podem apresentar comportamento mais agressivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A avaliação da possibilidade de malignidade não deve ser baseada apenas no tamanho ou na aparência do tumor. A presença de</span><b> metástases para linfonodos ou outros órgãos</b><span style="font-weight: 400;"> é um dos principais critérios utilizados para definir comportamento maligno. Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento precisam considerar as características individuais da lesão.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como o diagnóstico é feito?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando existe suspeita de um paraganglioma carotídeo, os exames de imagem são fundamentais para compreender a localização e a relação do tumor com as artérias e outras estruturas do pescoço.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><b>ultrassom com Doppler </b><span style="font-weight: 400;">pode ser utilizado na avaliação inicial e permite observar a relação da massa com os vasos sanguíneos. Já a </span><b>angiotomografia ou angiorressonância </b><span style="font-weight: 400;">fornece informações mais detalhadas sobre a anatomia vascular e sobre o grau de envolvimento da artéria carótida. E em situações específicas, a</span><b> angiografia cerebral </b><span style="font-weight: 400;">também pode ser necessária, principalmente quando existe planejamento de uma intervenção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A avaliação por imagem ajuda a determinar o tamanho do tumor, sua extensão e a relação com a carótida interna e externa.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Por que a localização torna o tratamento mais delicado?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A principal dificuldade do paraganglioma carotídeo está na sua localização. O tumor cresce ao redor da bifurcação da carótida e pode, com o tempo, envolver os vasos sanguíneos. Além disso, existem vários nervos cranianos importantes passando pela região.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante uma cirurgia, por exemplo, é necessário considerar simultaneamente a preservação do</span><b> fluxo sanguíneo cerebral </b><span style="font-weight: 400;">e a proteção das estruturas nervosas. Quanto maior e mais envolvida estiver a lesão, maior pode ser a complexidade do tratamento.</span></p>
<p><b>Todo paraganglioma carotídeo precisa de cirurgia?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa decisão precisa ser individualizada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pacientes selecionados, principalmente quando o tumor é pequeno, apresenta crescimento lento e não provoca sintomas relevantes, pode ser possível realizar </span><b>acompanhamento periódico com exames de imagem</b><span style="font-weight: 400;">. Quando existe indicação de tratamento, a cirurgia pode ser considerada com o objetivo de remover a lesão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A decisão leva em conta fatores como:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">tamanho do tumor;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">velocidade de crescimento;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">sintomas;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">idade e condições clínicas do paciente;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">relação da lesão com a carótida;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">envolvimento de nervos cranianos;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">risco de complicações;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">características do tumor nos exames de imagem.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, o diagnóstico de um paraganglioma carotídeo não significa automaticamente que uma cirurgia deva ser realizada.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como é planejada uma cirurgia?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a cirurgia é indicada, o planejamento começa muito antes do procedimento. É preciso compreender detalhadamente como o tumor se relaciona com as artérias carótidas e com os nervos próximos. Em tumores maiores, pode existir necessidade de reconstrução ou substituição de um segmento arterial, dependendo do grau de envolvimento vascular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinadas situações, também pode ser considerada uma </span><b>embolização pré-operatória</b><span style="font-weight: 400;">, com o objetivo de reduzir o fluxo sanguíneo para o tumor e diminuir a perda de sangue durante a cirurgia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa estratégia precisa ser avaliada individualmente, porque a embolização também possui riscos e não é necessária em todos os pacientes.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>E quando o tumor não é operado?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem situações em que a cirurgia apresenta um risco elevado em relação aos possíveis benefícios. Dependendo das características do paciente e do tumor, outras estratégias podem ser discutidas, incluindo a </span><b>radioterapia ou radiocirurgia</b><span style="font-weight: 400;">, principalmente quando o objetivo é controlar o crescimento da lesão. O acompanhamento clínico e radiológico também pode fazer parte da estratégia em tumores selecionados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha depende de uma análise individualizada, considerando tanto o comportamento do tumor quanto a segurança do paciente.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>A importância de uma avaliação especializada</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O paraganglioma carotídeo é um tumor raro e localizado em uma região de grande importância vascular e neurológica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, quando existe uma massa pulsátil no pescoço, especialmente se estiver crescendo progressivamente, é importante procurar avaliação médica. O diagnóstico por imagem permite compreender melhor a natureza da lesão e seu relacionamento com as estruturas próximas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como neurocirurgião com atuação em doenças cerebrovasculares e tumores do sistema nervoso, considero essencial analisar cada caso de maneira individualizada. </span><b>O objetivo é definir a estratégia que ofereça o melhor equilíbrio entre controle da doença, preservação do fluxo sanguíneo cerebral e proteção das funções neurológicas</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um diagnóstico bem estabelecido e um planejamento cuidadoso fazem diferença especialmente quando estamos diante de uma lesão que envolve diretamente uma das principais vias de circulação sanguínea para o cérebro.</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/21/paraganglioma-carotideo-um-tumor-que-pode-comprometer-a-arteria-que-irriga-o-cerebro/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Schwannoma vestibular: você já ouviu falar nesse diagnóstico?</title>
		<link>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/14/schwannoma-vestibular-voce-ja-ouviu-falar-nesse-diagnostico/</link>
					<comments>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/14/schwannoma-vestibular-voce-ja-ouviu-falar-nesse-diagnostico/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin_vj]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 14:29:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Schwannoma vestibular]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcosdellaretti.com.br/?p=1406</guid>

					<description><![CDATA[Quando alguém percebe que está ouvindo pior de um lado, apresenta um zumbido persistente ou começa a sentir desequilíbrio, é comum pensar inicialmente em alterações do ouvido. Em algumas situações, porém, esses sintomas podem ter origem no nervo que conecta o ouvido ao cérebro. É nesse contexto que encontramos o schwannoma vestibular, também conhecido como [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Quando alguém percebe que está ouvindo pior de um lado, apresenta um zumbido persistente ou começa a sentir desequilíbrio, é comum pensar inicialmente em alterações do ouvido. Em algumas situações, porém, esses sintomas podem ter origem no nervo que conecta o ouvido ao cérebro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse contexto que encontramos o </span><b>schwannoma vestibular</b><span style="font-weight: 400;">, também conhecido como neurinoma do acústico. Trata-se de um tumor geralmente benigno e de crescimento lento que se desenvolve a partir das células de Schwann do nervo vestibulococlear, responsável por funções relacionadas à audição e ao equilíbrio. Embora seja uma lesão benigna, sua localização merece atenção, porque o tumor pode crescer próximo a estruturas neurológicas importantes.</span></p>
<p><b>O que é o schwannoma vestibular?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O schwannoma vestibular é um tumor que se origina, na maioria das vezes, no componente vestibular do </span><b>VIII nervo craniano</b><span style="font-weight: 400;">, responsável por transmitir informações relacionadas ao equilíbrio e à audição. À medida que cresce, pode ocupar o </span><b>meato acústico interno</b><span style="font-weight: 400;"> e se estender para uma região localizada entre o tronco cerebral e o cerebelo, chamada ângulo pontocerebelar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na maioria dos casos, apresenta crescimento lento. Alguns tumores permanecem pequenos e estáveis durante anos, enquanto outros apresentam crescimento progressivo e podem provocar sintomas ou comprimir estruturas próximas. Por isso, receber esse diagnóstico não significa necessariamente que uma cirurgia será indicada imediatamente. A conduta depende das características de cada caso.</span></p>
<p><b>Quais são os principais sintomas?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sintomas variam de acordo com o tamanho do tumor e com as estruturas que ele compromete. Os mais frequentes são:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Perda auditiva em um dos ouvidos</b><span style="font-weight: 400;">, geralmente progressiva;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Zumbido unilateral</b><span style="font-weight: 400;">;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sensação de ouvido tampado;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Desequilíbrio;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Tontura em alguns pacientes.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">A perda auditiva unilateral progressiva merece investigação, especialmente quando está associada a zumbido no mesmo lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em tumores maiores, outros sintomas podem aparecer. A compressão de nervos cranianos próximos pode causar alterações na sensibilidade ou na movimentação do rosto, por exemplo. Lesões maiores também podem comprimir o tronco cerebral ou o cerebelo e provocar alterações neurológicas mais importantes.</span></p>
<p><b>Por que a perda auditiva de um lado merece investigação?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum associarmos perda auditiva e zumbido a problemas do próprio ouvido, e muitas vezes essa realmente é a causa. Quando a alteração é </span><b>unilateral e progressiva</b><span style="font-weight: 400;">, porém, é importante avaliar também o trajeto do nervo auditivo até o cérebro. O schwannoma vestibular é uma das condições que podem provocar esse padrão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A investigação adequada permite diferenciar uma alteração relacionada ao ouvido de uma lesão localizada no nervo vestibulococlear ou em estruturas próximas.</span></p>
<p><b>Como o diagnóstico é feito?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A avaliação começa pela história clínica e pelo exame físico, geralmente com participação da otorrinolaringologia e da neurologia ou neurocirurgia, conforme o caso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><b>audiometria </b><span style="font-weight: 400;">é importante para avaliar o grau e o padrão da perda auditiva. Quando existe suspeita de uma alteração no nervo vestibulococlear, a</span><b> ressonância magnética com contraste</b><span style="font-weight: 400;"> é o principal exame de imagem para identificar o tumor e analisar sua localização e extensão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ressonância também permite avaliar a relação do schwannoma com estruturas importantes, como o tronco cerebral, o cerebelo e outros nervos cranianos.</span></p>
<p><b>Todo schwannoma vestibular precisa de tratamento?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é uma das principais dúvidas após o diagnóstico. Em alguns pacientes, especialmente quando o tumor é pequeno, apresenta crescimento muito lento ou não provoca sintomas importantes, podemos optar pelo </span><b>acompanhamento periódico com exames de imagem e avaliações clínicas e auditivas</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa estratégia é conhecida como observação ou vigilância ativa. O objetivo é acompanhar o comportamento do tumor ao longo do tempo e intervir caso exista crescimento significativo ou alguma mudança clínica relevante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa decisão precisa levar em consideração idade, expectativa de vida, audição, sintomas, tamanho e localização do tumor, além da velocidade de crescimento observada nos exames.</span></p>
<p><b>Quais são as opções de tratamento?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o tratamento é indicado, existem diferentes possibilidades.</span></p>
<p><b>Cirurgia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cirurgia busca remover o tumor, preservando ao máximo as estruturas neurológicas próximas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A indicação e a técnica cirúrgica dependem principalmente do tamanho e da localização do schwannoma, da audição do paciente e da relação da lesão com o nervo facial e o tronco cerebral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em tumores maiores ou que provocam compressão significativa, a cirurgia pode ser uma alternativa importante.</span></p>
<p><b>Radiocirurgia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A radiocirurgia é uma opção para determinados pacientes, principalmente em tumores pequenos ou médios e em situações nas quais o objetivo é controlar o crescimento da lesão. Apesar do nome, não envolve uma incisão convencional. Utiliza radiação de alta precisão direcionada ao tumor, buscando preservar as estruturas saudáveis ao redor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A indicação precisa ser individualizada após análise detalhada das imagens e das características do paciente.</span></p>
<p><b>Acompanhamento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinados casos, acompanhar o tumor é a conduta mais adequada. Exames periódicos permitem verificar se a lesão permanece estável ou se apresenta crescimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O acompanhamento também pode ser utilizado em algumas situações específicas após tratamento, para avaliar a evolução da doença.</span></p>
<p><b>O que define a melhor estratégia?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não existe uma única conduta adequada para todos os pacientes com schwannoma vestibular. Na minha avaliação, considero principalmente:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">tamanho do tumor;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">localização e extensão;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">velocidade de crescimento;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">grau de perda auditiva;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">presença de zumbido, tontura ou desequilíbrio;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">relação com o nervo facial;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">proximidade com o tronco cerebral;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">idade e condições clínicas do paciente;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">expectativas e prioridades individuais.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">A análise conjunta desses fatores permite discutir os benefícios e os possíveis riscos de cada estratégia.</span></p>
<p><b>É possível preservar a audição e os movimentos do rosto?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é uma preocupação muito importante para quem recebe o diagnóstico. O nervo facial passa muito próximo ao schwannoma vestibular e, por isso, sua preservação é uma das prioridades durante o planejamento e, quando indicada, durante a cirurgia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A preservação da audição também pode ser possível em determinados pacientes, especialmente quando o tumor é pequeno e a audição ainda está bem preservada. Entretanto, isso depende das características específicas de cada caso e não pode ser garantido antecipadamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O planejamento detalhado por exames de imagem e a escolha da estratégia mais adequada são fundamentais para reduzir riscos e preservar funções.</span></p>
<p><b>O diagnóstico pode ser assustador, mas existem diferentes caminhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Receber a notícia de que existe um tumor no nervo responsável pela audição e pelo equilíbrio naturalmente gera preocupação. É importante, porém, entender que </span><b>o schwannoma vestibular geralmente é benigno e apresenta evolução lenta</b><span style="font-weight: 400;">, e que existem diferentes estratégias para lidar com a doença.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns casos, acompanhar é suficiente. Em outros, podemos considerar radiocirurgia ou cirurgia. A escolha depende do comportamento do tumor e das características de cada paciente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como neurocirurgião, meu papel é avaliar cuidadosamente essas variáveis, explicar as possibilidades de forma clara e definir, junto ao paciente, a estratégia que ofereça o melhor equilíbrio entre controle do tumor, segurança e preservação das funções neurológicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você apresenta </span><b>perda auditiva unilateral, zumbido persistente ou alterações de equilíbrio</b><span style="font-weight: 400;">, vale procurar avaliação especializada. Quanto mais cedo entendemos a origem desses sintomas, mais informações temos para tomar decisões adequadas sobre o tratamento.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/14/schwannoma-vestibular-voce-ja-ouviu-falar-nesse-diagnostico/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Visão dupla e dor ocular profunda: a síndrome do ápice orbitário e a compressão na base do crânio</title>
		<link>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/08/visao-dupla-e-dor-ocular-profunda-a-sindrome-do-apice-orbitario-e-a-compressao-na-base-do-cranio/</link>
					<comments>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/08/visao-dupla-e-dor-ocular-profunda-a-sindrome-do-apice-orbitario-e-a-compressao-na-base-do-cranio/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin_vj]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 18:34:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[síndrome do ápice orbitário]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcosdellaretti.com.br/?p=1401</guid>

					<description><![CDATA[Quando um paciente apresenta visão dupla, dor profunda ao redor do olho e dificuldade para movimentá-lo, é importante investigar cuidadosamente a origem desses sintomas. Em determinadas situações, eles podem estar relacionados a uma alteração em uma região anatômica pequena e extremamente complexa: o ápice da órbita. Essa área está localizada na parte mais profunda da [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Quando um paciente apresenta visão dupla, dor profunda ao redor do olho e dificuldade para movimentá-lo, é importante investigar cuidadosamente a origem desses sintomas. Em determinadas situações, eles podem estar relacionados a uma alteração em uma região anatômica pequena e extremamente complexa: o ápice da órbita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa área está localizada na parte mais profunda da órbita, próxima à base do crânio, e concentra estruturas fundamentais para a visão e para os movimentos dos olhos. Uma lesão nessa região pode comprometer simultaneamente o nervo óptico e outros nervos cranianos responsáveis pela movimentação ocular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como neurocirurgião, considero esse diagnóstico um desafio que exige correlação cuidadosa entre os sintomas, o exame neurológico e os exames de imagem.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O que é a síndrome do ápice orbitário?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A síndrome do ápice orbitário ocorre quando uma doença ou lesão compromete as estruturas localizadas no fundo da órbita, especialmente o nervo óptico e os nervos que controlam os movimentos dos olhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nervo óptico passa pelo canal óptico, enquanto os nervos oculomotor (III), troclear (IV) e abducente (VI), além do ramo oftálmico do trigêmeo (V1), percorrem a região da fissura orbital superior. Como essas estruturas estão muito próximas umas das outras, uma alteração no local pode produzir vários sintomas ao mesmo tempo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quais sintomas podem aparecer?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sinais dependem de quais estruturas foram afetadas, mas alguns sintomas são particularmente importantes:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Redução ou perda da visão em um dos olhos;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Visão dupla (diplopia);</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Dificuldade ou incapacidade de movimentar o olho em determinadas direções;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Dor profunda ao redor ou atrás do olho;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Queda da pálpebra (ptose);</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Alterações na sensibilidade da testa e da região ao redor do olho;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Alterações na pupila;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Em alguns casos, protrusão do olho.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">A combinação entre perda visual e paralisia dos movimentos oculares é especialmente importante porque sugere envolvimento do nervo óptico associado a outros nervos cranianos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O que pode causar a síndrome?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A síndrome do ápice orbitário não corresponde a uma única doença. Ela descreve um conjunto de manifestações provocadas por diferentes processos que atingem essa região.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as possibilidades estão tumores, processos inflamatórios, infecções, alterações vasculares, traumas e complicações de procedimentos cirúrgicos. Algumas doenças que se originam na órbita, nos seios da face ou na base do crânio também podem se estender até o ápice orbitário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as causas tumorais, por exemplo, podem existir lesões primárias da região, metástases ou tumores que se estendem por estruturas próximas. Alterações vasculares, como aneurismas ou fístulas, também fazem parte do diagnóstico diferencial. Por isso, diante desses sintomas, é fundamental descobrir qual é a causa e exatamente quais estruturas estão sendo comprometidas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Qual é a relação com a base do crânio?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A proximidade entre o ápice da órbita e a base do crânio explica por que algumas doenças dessa região podem apresentar manifestações neurológicas e oftalmológicas simultaneamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma lesão localizada na base do crânio pode exercer compressão sobre o nervo óptico, os nervos responsáveis pelos movimentos dos olhos ou outras estruturas que passam por essa região. Dependendo da localização e da extensão, podem surgir alterações visuais, diplopia, dor e déficits dos nervos cranianos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa relação anatômica também ajuda a explicar por que alguns casos precisam ser avaliados em conjunto por neurocirurgia, oftalmologia e outras especialidades, conforme a causa identificada.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como faço a investigação?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A avaliação começa com uma história clínica detalhada e um exame neurológico e oftalmológico cuidadoso. Observar como começou a perda visual, se a visão dupla é constante ou aparece em determinadas posições e quais movimentos oculares estão comprometidos pode ajudar a localizar a região afetada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ressonância magnética do cérebro e das órbitas, geralmente com protocolos direcionados para essa região, é um dos principais exames para investigar alterações do ápice orbitário. A tomografia computadorizada também pode ser importante, principalmente para avaliar estruturas ósseas ou quando a ressonância não pode ser realizada. Dependendo da suspeita clínica, exames laboratoriais, estudos vasculares ou até mesmo uma biópsia podem ser necessários para determinar a causa.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O tratamento depende da causa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como existem diversas causas possíveis, o tratamento precisa ser individualizado. Quando a origem é inflamatória, por exemplo, podem ser utilizados medicamentos específicos, incluindo corticoides em situações apropriadas. Infecções exigem tratamento direcionado ao agente causador. Quando existe uma lesão tumoral, a estratégia pode envolver cirurgia, radioterapia, radiocirurgia ou uma combinação dessas modalidades, dependendo do tipo, localização e extensão da doença.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinadas situações, quando há compressão de estruturas neurológicas por uma lesão passível de abordagem cirúrgica, a descompressão pode fazer parte do tratamento. O ponto central é que não existe um tratamento único para a síndrome do ápice orbitário. É a causa que determina a estratégia.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Por que o diagnóstico precisa ser rápido?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A perda visual associada à alteração dos movimentos dos olhos merece avaliação especializada, principalmente quando surge de maneira recente ou progressiva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nervo óptico e os demais nervos cranianos são estruturas delicadas. Quanto mais cedo identificamos a causa da compressão ou lesão, maiores são as possibilidades de discutir uma estratégia adequada para preservar a função neurológica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, sintomas como perda visual, visão dupla, dor ocular profunda ou dificuldade súbita para movimentar um dos olhos não devem ser tratados como alterações oftalmológicas comuns sem investigação adequada.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Uma região pequena, com grande importância</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ápice orbitário ocupa uma área pequena, mas reúne estruturas essenciais para a visão, os movimentos oculares e a sensibilidade da região facial. Quando uma doença se instala nesse espaço, diferentes funções podem ser comprometidas simultaneamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na minha prática, a investigação desses casos exige atenção aos detalhes clínicos e anatômicos, além de uma análise cuidadosa das imagens. Identificar precisamente onde está a lesão e qual estrutura ela compromete é fundamental para escolher o tratamento mais seguro e preservar, sempre que possível, a função visual e neurológica do paciente.</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/08/visao-dupla-e-dor-ocular-profunda-a-sindrome-do-apice-orbitario-e-a-compressao-na-base-do-cranio/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>E se a sua coriza for perda de líquido cerebral? Conheça a fístula liquórica espontânea</title>
		<link>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/02/e-se-a-sua-coriza-for-perda-de-liquido-cerebral-conheca-a-fistula-liquorica-espontanea/</link>
					<comments>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/02/e-se-a-sua-coriza-for-perda-de-liquido-cerebral-conheca-a-fistula-liquorica-espontanea/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin_vj]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 18:19:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[fistula liquórica]]></category>
		<category><![CDATA[liquido cerebral]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcosdellaretti.com.br/?p=1398</guid>

					<description><![CDATA[Quando pensamos em coriza, geralmente associamos o sintoma a um resfriado, rinite ou sinusite. Em algumas situações, porém, a saída persistente de um líquido transparente pelo nariz ou pelo ouvido pode ter outra origem: um vazamento de líquido cefalorraquidiano, também chamado de líquor. A fístula liquórica espontânea merece atenção porque pode surgir mesmo sem histórico [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Quando pensamos em coriza, geralmente associamos o sintoma a um resfriado, rinite ou sinusite. Em algumas situações, porém, a saída persistente de um líquido transparente pelo nariz ou pelo ouvido pode ter outra origem: um vazamento de líquido cefalorraquidiano, também chamado de líquor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fístula liquórica espontânea merece atenção porque pode surgir mesmo sem histórico de trauma, cirurgia ou procedimento na região. Como neurocirurgião, considero importante reconhecer seus sinais para que a investigação e o tratamento sejam realizados adequadamente.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O que é uma fístula liquórica espontânea?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O líquido cefalorraquidiano (LCR), ou líquor, é um fluido que circula ao redor do cérebro e da medula espinhal, ajudando a protegê-los e a manter condições adequadas para o funcionamento do sistema nervoso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse líquido é separado das cavidades do nariz e dos ouvidos por estruturas ósseas e membranas que formam a base do crânio. Quando existe uma pequena falha nessas estruturas, o líquor pode encontrar um caminho para fora do compartimento intracraniano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando esse vazamento acontece sem uma causa traumática ou cirurgia prévia, chamamos de fístula liquórica espontânea.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Por que esse vazamento pode acontecer?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem diferentes mecanismos envolvidos. Em alguns pacientes, há uma alteração estrutural na base do crânio que facilita a formação da fístula.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outros casos, o vazamento pode estar relacionado ao aumento persistente da pressão intracraniana. A pressão elevada pode exercer força sobre áreas mais frágeis da base do crânio, favorecendo a formação de pequenas falhas por onde o líquor pode escapar. Por isso, identificar a causa do vazamento é uma etapa importante para definir o tratamento e reduzir o risco de recorrência.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como diferenciar o líquor de uma coriza comum?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos principais sinais de alerta é a saída de líquido muito claro e aquoso pelo nariz, especialmente quando ocorre de maneira persistente, geralmente de um lado só, e sem os sintomas típicos de uma infecção respiratória.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O líquido também pode apresentar características que ajudam na investigação, como aumento da saída ao inclinar a cabeça ou realizar determinados esforços. Quando o vazamento ocorre pelo ouvido, também pode haver saída de líquido claro pelo canal auditivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante lembrar que a aparência do líquido, sozinha, não permite confirmar o diagnóstico. Uma secreção nasal transparente pode ter diversas causas, e a confirmação de uma fístula liquórica depende de avaliação especializada e exames apropriados.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>A dor de cabeça também pode ser um sinal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dor de cabeça é outro sintoma que merece atenção, principalmente quando apresenta características diferentes das dores habituais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns casos de perda de líquor, a dor pode apresentar caráter postural, piorando quando a pessoa fica em pé e melhorando ao deitar. Outros pacientes podem apresentar dor de cabeça associada a náuseas, alterações visuais ou sensação de pressão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A apresentação clínica varia bastante. Por isso, a combinação entre os sintomas, o exame médico e os exames de imagem é fundamental para chegar ao diagnóstico.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como faço a investigação?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando existe suspeita de fístula liquórica, procuro primeiro entender detalhadamente a história clínica: quando os sintomas começaram, como é a secreção, se houve trauma ou cirurgia anterior e quais características acompanham a dor de cabeça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A investigação pode envolver exames de imagem específicos, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, que ajudam a identificar alterações na base do crânio e possíveis pontos de vazamento.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinadas situações, exames laboratoriais da secreção podem ajudar a confirmar se o líquido é realmente líquor. Técnicas de imagem mais específicas também podem ser utilizadas quando o local exato da fístula não está claro.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Qual é o tratamento?</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tratamento depende da localização do vazamento, da causa, da intensidade dos sintomas e das características anatômicas de cada paciente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns casos selecionados, pode haver indicação de acompanhamento ou medidas conservadoras. Quando existe um defeito persistente ou uma fístula com maior risco de complicações, pode ser necessário realizar uma correção cirúrgica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualmente, muitos defeitos da base do crânio podem ser tratados por técnicas endoscópicas, utilizando o acesso pelo nariz para reparar a região responsável pelo vazamento. A escolha da técnica depende da anatomia e da localização da fístula.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando há aumento da pressão intracraniana associado ao vazamento, essa condição também precisa ser investigada e tratada. Caso contrário, existe maior possibilidade de o problema voltar após a correção.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Por que não devemos ignorar uma possível fístula?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O líquor funciona como uma barreira importante entre o sistema nervoso central e o ambiente externo. Quando existe uma comunicação anormal entre essas estruturas, aumenta o risco de entrada de microrganismos e, consequentemente, de meningite.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, uma secreção nasal ou auricular clara e persistente, especialmente quando acompanhada de dor de cabeça com características incomuns, merece investigação médica.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quando procurar avaliação especializada?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você apresenta uma saída persistente de líquido transparente pelo nariz ou ouvido, principalmente de forma unilateral, ou uma dor de cabeça que apresenta relação clara com a posição do corpo, é importante buscar avaliação médica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fístula liquórica espontânea é uma condição incomum e pode passar despercebida por algum tempo. O reconhecimento dos sinais, a investigação adequada e a identificação da causa permitem definir a estratégia mais segura para cada paciente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em neurocirurgia, cada caso exige uma análise individualizada. Quando existe suspeita de um vazamento de líquor, investigar corretamente é o primeiro passo para proteger o cérebro e prevenir complicações.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcosdellaretti.com.br/2026/09/02/e-se-a-sua-coriza-for-perda-de-liquido-cerebral-conheca-a-fistula-liquorica-espontanea/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O cigarro é o acelerador número 1 para a ruptura de aneurismas</title>
		<link>https://marcosdellaretti.com.br/2026/08/24/o-cigarro-e-o-acelerador-numero-1-para-a-ruptura-de-aneurismas/</link>
					<comments>https://marcosdellaretti.com.br/2026/08/24/o-cigarro-e-o-acelerador-numero-1-para-a-ruptura-de-aneurismas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin_vj]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2026 16:36:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[aneurisma]]></category>
		<category><![CDATA[tabagismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcosdellaretti.com.br/?p=1394</guid>

					<description><![CDATA[O Dia Mundial de Combate ao Fumo é uma oportunidade importante para falar sobre um risco que muitas pessoas desconhecem: a relação direta entre o tabagismo e os aneurismas cerebrais. Ao longo da minha atuação como neurocirurgião vascular, acompanho pacientes que descobrem um aneurisma de forma inesperada e se perguntam quais fatores podem aumentar o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O Dia Mundial de Combate ao Fumo é uma oportunidade importante para falar sobre um risco que muitas pessoas desconhecem: a relação direta entre o tabagismo e os aneurismas cerebrais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da minha atuação como neurocirurgião vascular, acompanho pacientes que descobrem um aneurisma de forma inesperada e se perguntam quais fatores podem aumentar o risco de ruptura. Entre todos os fatores modificáveis, o cigarro ocupa um dos primeiros lugares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para proteger os vasos sanguíneos do cérebro e reduzir a chance de uma hemorragia potencialmente grave.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como o cigarro afeta os vasos sanguíneos?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada cigarro libera substâncias tóxicas que provocam inflamação, lesam a parede dos vasos e favorecem alterações na circulação sanguínea. Com o passar dos anos, esse processo enfraquece a estrutura das artérias e contribui para a formação e o crescimento dos aneurismas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o tabagismo aumenta o estresse sobre a parede vascular, tornando essas dilatações mais vulneráveis à ruptura.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Por que o risco de ruptura aumenta?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversos estudos mostram que fumantes apresentam um risco significativamente maior de desenvolver aneurismas e, principalmente, de sofrer uma hemorragia causada por sua ruptura. Estima-se que pessoas que fumam tenham entre quatro e dez vezes mais chances de apresentar esse tipo de sangramento quando comparadas aos não fumantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando um aneurisma cerebral se rompe, ocorre uma hemorragia subaracnoide, uma emergência neurológica que exige atendimento imediato e pode deixar sequelas permanentes ou colocar a vida em risco.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quem deve ter atenção redobrada?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cuidado deve ser ainda maior para pessoas que apresentam outros fatores de risco, como:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Histórico familiar de aneurisma cerebral;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Hipertensão arterial;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Idade acima dos 40 anos;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Tabagismo de longa duração;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Associação entre cigarro e consumo excessivo de álcool.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesses casos, a avaliação especializada permite identificar fatores individuais e definir a necessidade de investigação por exames de imagem.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Parar de fumar ainda faz diferença?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim. Independentemente do tempo de tabagismo, interromper o uso do cigarro reduz progressivamente os danos aos vasos sanguíneos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora um aneurisma já existente exija acompanhamento específico, abandonar o tabagismo diminui o risco de crescimento da lesão, reduz a probabilidade de ruptura e beneficia toda a saúde cardiovascular. Essa decisão também reduz o risco de AVC, infarto e diversas outras doenças associadas ao cigarro.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Prevenção também faz parte do tratamento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos em aneurismas, o tratamento vai muito além da cirurgia ou da embolização. Controlar a pressão arterial, abandonar o cigarro, manter hábitos saudáveis e realizar acompanhamento médico quando indicado são medidas que ajudam a reduzir riscos e preservar a saúde cerebral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como neurocirurgião vascular, acredito que informação e prevenção caminham lado a lado. Muitas complicações graves podem ser evitadas quando identificamos os fatores de risco precocemente e atuamos antes que uma ruptura aconteça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você fuma, possui histórico familiar de aneurisma ou já recebeu esse diagnóstico, procure uma avaliação especializada. Cada caso deve ser analisado de forma individualizada para que a estratégia de acompanhamento ou tratamento ofereça a maior segurança possível.</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcosdellaretti.com.br/2026/08/24/o-cigarro-e-o-acelerador-numero-1-para-a-ruptura-de-aneurismas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>AVC hemorrágico: é possível que o cérebro &#8220;volte ao normal&#8221;?</title>
		<link>https://marcosdellaretti.com.br/2026/08/11/avc-hemorragico-e-possivel-que-o-cerebro-volte-ao-normal/</link>
					<comments>https://marcosdellaretti.com.br/2026/08/11/avc-hemorragico-e-possivel-que-o-cerebro-volte-ao-normal/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin_vj]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 16:46:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[avc]]></category>
		<category><![CDATA[diagnóstico avc]]></category>
		<category><![CDATA[tratamento AVC]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcosdellaretti.com.br/?p=1390</guid>

					<description><![CDATA[Uma das perguntas que mais escuto de pacientes e familiares após um AVC hemorrágico é: &#8220;O cérebro pode voltar ao normal?&#8221; A resposta depende de diversos fatores, como a extensão do sangramento, a região afetada, a rapidez do atendimento e o início da reabilitação. Embora as células cerebrais destruídas pelo sangramento não se regenerem, isso [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Uma das perguntas que mais escuto de pacientes e familiares após um AVC hemorrágico é: &#8220;O cérebro pode voltar ao normal?&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A resposta depende de diversos fatores, como a extensão do sangramento, a região afetada, a rapidez do atendimento e o início da reabilitação. Embora as células cerebrais destruídas pelo sangramento não se regenerem, isso não significa que a recuperação esteja limitada. O cérebro possui uma capacidade extraordinária de adaptação, conhecida como neuroplasticidade, que pode devolver funções importantes ao paciente.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O que acontece durante um AVC hemorrágico?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O AVC hemorrágico ocorre quando um vaso sanguíneo se rompe dentro do cérebro, provocando sangramento no tecido cerebral ou ao seu redor. Além da interrupção do funcionamento normal da região afetada, o sangue exerce pressão sobre o cérebro e desencadeia uma série de alterações inflamatórias. Como consequência, parte das células nervosas pode sofrer danos irreversíveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dependendo da localização do sangramento, o paciente pode apresentar perda de força, alterações da fala, dificuldades de equilíbrio, problemas de memória ou alterações cognitivas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>As células cerebrais podem se regenerar?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As células que morreram em decorrência do AVC não são substituídas por novas células capazes de desempenhar exatamente a mesma função. Entretanto, isso não significa que a recuperação seja impossível. O cérebro possui mecanismos que permitem reorganizar suas conexões, fortalecendo circuitos já existentes e criando novas formas de executar determinadas funções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É justamente essa capacidade de reorganização que explica por que muitos pacientes conseguem recuperar movimentos, linguagem e autonomia ao longo dos meses.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>O que é a neuroplasticidade?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro tem de modificar sua estrutura e seu funcionamento em resposta às necessidades do organismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um AVC, áreas saudáveis podem assumir, parcial ou totalmente, funções antes desempenhadas pela região lesionada. Esse processo ocorre gradualmente e depende de estímulos adequados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto mais direcionada for a reabilitação, maiores são as chances de o cérebro desenvolver novas conexões eficientes.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>A importância da reabilitação precoce</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tratamento não termina quando o paciente recebe alta hospitalar. A fase de reabilitação é uma das etapas mais importantes para recuperar qualidade de vida. Fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, neuropsicologia e acompanhamento médico especializado trabalham em conjunto para estimular o cérebro durante esse período de adaptação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada exercício realizado contribui para fortalecer novas conexões neurais e favorecer a recuperação funcional.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quais fatores influenciam a recuperação?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A evolução após um AVC hemorrágico varia de pessoa para pessoa, mas entre os principais fatores que influenciam o prognóstico estão:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">A extensão do sangramento.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">A região cerebral afetada.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">A idade do paciente.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">A rapidez do atendimento inicial.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">O controle das doenças associadas, como hipertensão e diabetes.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">A adesão ao programa de reabilitação.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses elementos ajudam a determinar o potencial de recuperação e orientam o planejamento terapêutico.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Existe esperança após um AVC hemorrágico</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da minha experiência como neurocirurgião, acompanhei inúmeros pacientes que conseguiram recuperar funções importantes graças ao tratamento adequado e à reabilitação intensiva. Cada caso apresenta desafios próprios, mas a medicina evoluiu significativamente tanto no manejo da fase aguda quanto nas estratégias de recuperação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diagnóstico precoce, o tratamento especializado e uma reabilitação bem conduzida permitem que muitos pacientes retomem atividades, recuperem independência e conquistem uma qualidade de vida muito superior àquela imaginada logo após o AVC.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, diante de um AVC hemorrágico, o mais importante é agir rapidamente e iniciar o tratamento o quanto antes. Cada minuto faz diferença na preservação do cérebro e cada etapa da recuperação representa uma nova oportunidade para explorar todo o potencial da neuroplasticidade.</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcosdellaretti.com.br/2026/08/11/avc-hemorragico-e-possivel-que-o-cerebro-volte-ao-normal/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
