O Dia Mundial de Combate ao Fumo é uma oportunidade importante para falar sobre um risco que muitas pessoas desconhecem: a relação direta entre o tabagismo e os aneurismas cerebrais.

Ao longo da minha atuação como neurocirurgião vascular, acompanho pacientes que descobrem um aneurisma de forma inesperada e se perguntam quais fatores podem aumentar o risco de ruptura. Entre todos os fatores modificáveis, o cigarro ocupa um dos primeiros lugares.

Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para proteger os vasos sanguíneos do cérebro e reduzir a chance de uma hemorragia potencialmente grave.

 

Como o cigarro afeta os vasos sanguíneos?

Cada cigarro libera substâncias tóxicas que provocam inflamação, lesam a parede dos vasos e favorecem alterações na circulação sanguínea. Com o passar dos anos, esse processo enfraquece a estrutura das artérias e contribui para a formação e o crescimento dos aneurismas.

Além disso, o tabagismo aumenta o estresse sobre a parede vascular, tornando essas dilatações mais vulneráveis à ruptura.

 

Por que o risco de ruptura aumenta?

Diversos estudos mostram que fumantes apresentam um risco significativamente maior de desenvolver aneurismas e, principalmente, de sofrer uma hemorragia causada por sua ruptura. Estima-se que pessoas que fumam tenham entre quatro e dez vezes mais chances de apresentar esse tipo de sangramento quando comparadas aos não fumantes.

Quando um aneurisma cerebral se rompe, ocorre uma hemorragia subaracnoide, uma emergência neurológica que exige atendimento imediato e pode deixar sequelas permanentes ou colocar a vida em risco.

 

Quem deve ter atenção redobrada?

O cuidado deve ser ainda maior para pessoas que apresentam outros fatores de risco, como:

  • Histórico familiar de aneurisma cerebral;
  • Hipertensão arterial;
  • Idade acima dos 40 anos;
  • Tabagismo de longa duração;
  • Associação entre cigarro e consumo excessivo de álcool.

Nesses casos, a avaliação especializada permite identificar fatores individuais e definir a necessidade de investigação por exames de imagem.

 

Parar de fumar ainda faz diferença?

Sim. Independentemente do tempo de tabagismo, interromper o uso do cigarro reduz progressivamente os danos aos vasos sanguíneos.

Embora um aneurisma já existente exija acompanhamento específico, abandonar o tabagismo diminui o risco de crescimento da lesão, reduz a probabilidade de ruptura e beneficia toda a saúde cardiovascular. Essa decisão também reduz o risco de AVC, infarto e diversas outras doenças associadas ao cigarro.

 

Prevenção também faz parte do tratamento

Quando falamos em aneurismas, o tratamento vai muito além da cirurgia ou da embolização. Controlar a pressão arterial, abandonar o cigarro, manter hábitos saudáveis e realizar acompanhamento médico quando indicado são medidas que ajudam a reduzir riscos e preservar a saúde cerebral.

Como neurocirurgião vascular, acredito que informação e prevenção caminham lado a lado. Muitas complicações graves podem ser evitadas quando identificamos os fatores de risco precocemente e atuamos antes que uma ruptura aconteça.

Se você fuma, possui histórico familiar de aneurisma ou já recebeu esse diagnóstico, procure uma avaliação especializada. Cada caso deve ser analisado de forma individualizada para que a estratégia de acompanhamento ou tratamento ofereça a maior segurança possível.